A história da hotelaria no mundo está diretamente ligada com a origem dos jogos olímpicos lá na Grécia Antiga.

Devido à dimensão e importância atribuída aos jogos, (visto que durante o período dos jogos olímpicos até as batalhas e guerras territoriais cessavam brevemente para que as disputas assumissem o protagonismo) naquela época era preciso movimentar uma logística amadora e rudimentar mesmo.

As competições duravam dias e a cidade de Olímpia recebia milhares de pessoas, visitantes e atletas, e para a realização de um torneio esportivo com tamanha magnitude, foi preciso construir uma arena versátil para abrigar as mais diferentes modalidades esportivas, dependências para que os atletas e visitantes pudessem fazer suas refeições e seguindo a trilha das necessidades para a época e para o evento.

Houve, então, a necessidade de construir uma hospedaria, um local para acomodar todos os atletas nos intervalos das competições e os visitantes que prestigiavam o espetáculo esportivo pudessem desfrutar de momentos de descanso.

Esta é oficialmente a história que conta o surgimento da primeira instalação com propósitos de hospedagem que se tem conhecimento.

De lá pra cá muita coisa aconteceu, muita coisa mudou, o mundo passou por várias transições, a civilização grega precisou passar por sérias e profundas transformações, enfrentou invasões e o curso da história mostra que:

  • a necessidade de viagens,
  • explorações,
  • cruzadas com intuito de exploração,
  • guerras,
  • conquistas territoriais,
  • domínio social, bélico, cultural e étnico,

obrigaram pessoas a saírem de suas casas e procurar por uma acomodação em outros lugares, as vezes muito mal recebidos e mal instalados, mas a necessidade de sentir-se bem soube se impor.

Esperto foi aquele que entendeu, evoluiu e acompanhou esta tendência e lançou mão de artifícios para suprir as tais necessidades emergentes e imediatas de quem chegava e batia à sua porta. As primeiras estalagens medievais – rurais ou a beira de estradas – formam o pilar do surgimento da prestação dos primeiros serviços de hospedagem com essa finalidade específica – receber, abrigar, acolher, alimentar e servir – recebendo em troca da prestação dos seus serviços, pagamentos das mais diversas ordens.

Com o aumento dessa demanda, com o fluxo das viagens tomando corpo e se intensificando cada vez mais, a necessidade de saber quem eram os visitantes, qual sua nacionalidade, qual o propósito de sua viagem, quais seriam seus próximos destinos, as preferências de cada hóspede, o cuidado que precisou ser tomado e a atenção que deveria ser dedicada à segurança  aos  hóspedes e seus acompanhantes, seus pertences, sua bagagem. Na época eram animais – cavalos em sua maioria – pedras e metais preciosos sendo transportados, documentos e correspondências oficiais entre os reinos, alimentos – carnes, grãos, frutas e verduras exóticas, fibras têxteis e couro de animais – crianças, mulheres e serviçais que formavam as comitivas de viagens de reis e rainhas, comerciantes, pensadores, políticos, filósofos, pesquisadores…

Tudo e todos que entrassem nas dependências de uma hospedaria precisavam estar salvaguardados e o sigilo de tais informações precisava estar garantido.

A hoteleria como conhecemos hoje

Com o passar dos anos e com a evolução natural da sociedade e de uma diversificação imensa de eventos sendo realizados ao redor do mundo, surgiu uma demanda cada vez mais específica de visitante, turista e hóspede.

Demos um salto considerável na história e chegamos aos dias de hoje com os hotéis mais incríveis, os mais elegantes e os mais sofisticados de todos, (ainda há muito o que evoluir) com serviços dos mais diversos, que cabem em todo e qualquer bolso, de todos os níveis, em todos os lugares.

A alma da hotelaria está até mesmo em nossa casa e muitas vezes nem nos damos conta, afinal receber os coleguinhas da escola em casa para fazer aquele trabalho em grupo, receber primos e amigos para dormir em casa, receber uma visita para almoçar ou jantar, organizar todos os detalhes e receber os convidados para uma festa de aniversário, até mesmo aquele churrasquinho inocente no final de semana, abrigar os parentes que vem de longe, abrir as portas da nossa casa para um estudante participante de um programa de intercâmbio, a evolução e criação de serviços de Couch-Ssurfing e chegando ao Air-BnB.

Tudo isso é e representa a prática mais honesta e legítima da arte do bem receber e bem servir, afinal em todas estas situações nós, os anfitriões, queremos que todos os nossos convidados cheguem em segurança, sintam-se seguros, felizes, acolhidos e  queremos que nossos visitantes ou hóspedes sintam que nossa atenção, carinho e preocupação com cada detalhe para fazê-lo sentir-se em casa foi pensado, gostamos de surpreender e de fazer sempre nosso melhor (com ou sem luxo ou sofisticação) mas sempre nos empenhamos para surpreender e tornar essa experiência a mais agradável de todas.

O profissional de hotelaria dos dias de hoje é um colaborador que se preocupa com todos estes detalhes em sua essência, faz parte do espírito desse indivíduo a necessidade de saber e de  antecipar-se  aos desejos do outro, de quem chega, de quem vai, de quem fica, por quanto tempo fica, quais são as atividades que despertam o  interesse do outro, o que é possível fazer para tornar esta estadia melhor, como fazer para encantar e ser solidário às necessidades – urgentes ou não – de quem os procurar a qualquer momento?

  • Ser solícito,
  • cordial,
  • educado,
  • eficiente,
  • discreto,
  • responsável,
  • ter traquejo social,
  • ter habilidade para lidar com outras pessoas de diferentes culturas,
  • backgroundings,
  • e ter a sensibilidade necessária e empatia para resolver qualquer que seja a demanda, sempre com um sorriso no rosto e muitas vezes usando outros idiomas.

Estas são apenas algumas características de detalhes que fazem parte do dia a dia e do perfil de um profissional da hotelaria.

Sabemos que hoje em dia é possível ensinar alguém como ser hoteleiro, mas antes de tudo, um verdadeiro hoteleiro já se nasce sabendo “ser hoteleiro”, é algo intrínseco a nossa natureza, nossa vocação real, mesmo que estejamos atuando em outras áreas profissionais ou nichos de mercado, mas a hotelaria estará sempre lá, afinal, se faz necessário esclarecer que: hoteleiro, não é ser apenas o dono do hotel ou empresário do setor, ser hoteleiro diz respeito ao fato e ao ato de exercer a hotelaria genuína, ter desejo e paixão por servir, entender que as necessidades dos hóspedes sob nossa responsabilidade é nossa prioridade e assumir a obrigação de ser a figura central que resolverá tudo aquilo que por ventura, represente um problema, um empecilho ou incômodo para quem está hospedado.

No Dia do Profissional Hoteleiro, depois de ter passado por tantos altos e baixos, depois de ter encarado tantos desafios, depois de ter superado muitos deles e aprendido com todos os sucessos e insucessos da carreira, vejo hoje profissionais que levam a excelência dos serviços de hotelaria ao seu patamar mais elevado, e isso não tem nada a ver com tipo, estrutura ou classificação do hotel para o qual exercemos nossa função, pois, sabemos que a arte de receber bem demanda tempo, dedicação, paciência, desejo sincero de poder ser útil, sempre gentil e colaborar com nosso semelhante que está longe do lugar que ele chama de lar.

Às vezes sozinhos, às vezes acompanhado, com os propósitos de viagem mais diversos, porém, nossa obrigação de hospedá-lo segue sempre firme e forte e estes profissionais abnegados realizam suas tarefas com maestria.

Neste Dia do Hoteleiro trago comigo um questionamento:  Seria este um dia marcado por celebrações, reconhecimento ou muito trabalho como todos os dias?

Seria este um dia digno de uma homenagem à altura do que é exigido destes profissionais?

Exercer a arte do bem receber e pôr em prática tudo que nos foi ensinado pelos mestres da hotelaria moderna é como um sacerdócio, é nossa religião, e podemos hoje considerar que há algum tipo de valorização ou reconhecimento digno destes profissionais, que vá além de um cartão ou uma postagem em uma rede social, com uma mensagem impessoal com palavras bonitas que acabam disfarçando a enorme cobrança que há por trás de todo o pseudo glamour atrelado a  quem está sempre com uma aparência impecável usando uniformes elegantes, possui classe e refinamento invejáveis, que passa horas em pé e “descasca todo tipo de abacaxi” que se apresenta do outro lado do nosso balcão?

Neste Dia do Hoteleiro proponho que haja não apenas mais engajamento à causa, mas eu falo diretamente com os profissionais, estudantes da área, gestores, administradores e empresários do setor hoteleiro.

Proponho mais que isso, proponho mais que melhores salários, proponho mais que respeito, proponho mais que valorização simplória e um tapinha nas costas no momento de parabenizar os membros de uma equipe, proponho mais que bônus e promoções de cargos… minha proposta segue além, segue pedindo por mais empenho dos profissionais que formam e lapidam os talentos que a hotelaria tem, proponho que haja dignidade para o segmento do turismo inteiro não apenas o profissional hoteleiro que é uma parte importante para sustentação, manutenção do equilíbrio e funcionamento harmônico de uma máquina soberana, que movimenta muito dinheiro, que lida com o bem mais precioso que temos.

Trabalhamos com  vidas, trabalhamos com humanos, trabalhamos com sonhos, trabalhamos com expectativas, com realizações, com amor, trabalhamos colocando nosso coração no peito do nosso hóspede se preciso for para fazer com que ele se sinta bem, afinal o profissional de hotelaria, seja no dia do hoteleiro ou qualquer outro dia, exerce nossa arte com satisfação, dinamismo e desejo de ser sempre o melhor, somos mestres em:

RECEBER BEM COM ENCANTAMENTO E SERMOS ÚTEIS COM ACOLHIMENTO.

Proponho que neste dia do hoteleiro todos os profissionais estejam conscientes do seu valor, entendam a importância do seu trabalho e sua colaboração para que no final, tudo esteja em seu devido lugar, que a paz e a tranquilidade dos nossos hóspedes seja mantida e preservada a todo custo, que a resistência e ao amor pela profissão seja sempre nossa força motriz que promove sorrisos sinceros, honestos, que traga alívio, que reflita felicidade e que deixe claro que somos hoteleiros com orgulho e que dificuldades existem não para nos impedir, mas servem sobretudo para serem superadas.

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